Os Verdes pedem revogação de projecto turístico
O partido ecologista Os Verdes vai pedir ao novo Governo a revogação do despacho que, em vésperas das eleições, viabilizou um empreendimento turístico em Benavente que prevê o corte de 2.605 sobreiros.
Em comunicado enviado à Agência Lusa, os Verdes afirmam que vão apresentar uma resolução na Assembleia da República, no sentido de o novo Governo revogar o despacho assinado a 16 de Fevereiro (e publicado terça-feira em Diário da República) pelos ministros cessantes da Agricultura, Costa Neves, Ambiente, Nobre Guedes, e Turismo, Telmo Correia.
Para os Verdes, a decisão, tomada por um Governo de gestão que "não tem legitimidade para deliberar sobre matéria tão polémica e delicada", é "imoral".
Frisando os impactos ambientais "indesejáveis" do projecto, a começar pelo abate de sobreiros, os Verdes afirmam que o combate ao desemprego numa zona em que este se faz sentir "com muita intensidade", sobretudo da população agrícola, não pode "consubstanciar agressões ao meio ambiente".
O despacho veio viabilizar um empreendimento turístico da Portucale, Sociedade de Desenvolvimento Agro-Turístico, ligada ao grupo Espírito Santo, na herdade da Vargem Fresca, uma área de cerca de 510 hectares em Reserva Ecológica Nacional.
O projecto aguarda viabilização há mais de uma década, uma vez que prevê o corte de sobreiros, uma espécie protegida por lei que só pode ser abatida em casos excepcionais que venham a ser considerados de "relevante e imprescindível interesse público".
A associação ambientalista Quercus anunciou quarta-feira que vai pedir a suspensão da eficácia do despacho e recorrer aos tribunais administrativos para impedir o avanço do projecto.
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