Entrevista 3 Jun 2012, 07:42h
Carlos M. Cunha, o actor de Azinhaga que também foi militar, vendedor e artesão

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Carlos M. Cunha nasceu na Azinhaga, concelho da Golegã, em 11 de Dezembro de 1961. É a terra de José Saramago mas ele gosta de dizer que é também a terra de Serrão de Faria, “o melhor pintor de cavalos do mundo” cuja obra está intrinsecamente ligada à campina ribatejana.

O teatro só entra na vida de Carlos para lá dos trinta anos. Antes actuou profissionalmente noutros palcos. Foi cabo da Força Aérea durante oito anos em Tancos, Alverca e Ota. Saiu porque ganhava pouco e passa a vendedor numa multinacional. Nunca viveu tão bem em termos materiais, mas o seu caminho não era por ali. Aos 30 anos deixa o Entroncamento, onde residia, e vai viver para Porto Covo, onde se torna artesão. Esteve aí seis anos.

É no litoral alentejano que tem os primeiros contactos com o teatro. Inicia a sua experiência em Sines, no Teatro do Mar, depois passa pelo Teatro Pim de Évora, pelo Chapitô em Lisboa e em 2000 funda com César Mourão e Ricardo Peres os Commedia a la Carte, grupo pioneiro da improvisação teatral em Portugal.

A partir daí outras portas se abrem e passa a participar regulamente em vários programas e séries na TV. Actualmente participa na série 5 Para a Meia Noite com o seu outro grupo, designado SPAM.

Pai de uma filha com 27 anos e de dois filhos com 5 e 2 anos, este aficionado “militantíssimo” e benfiquista “fanático” reside há cerca de um ano no Vale de Santarém após algum tempo a viver em Lisboa. Diz que a sua ligação à Azinhaga natal continua a ser “total”. “É a minha aldeia, pá! É a aldeia mais portuguesa do Ribatejo. É uma terra de que me orgulho muito”.

A política em Portugal é uma tragédia ou uma comédia?

Para nós, povo, é uma tragédia a forma como eles fazem política. Para mim, como comediante ou humorista, é uma base brutal de trabalho.

O Carlos nunca foi convidado para dar a cara por um projecto político?

Não tenho nada a ver com isso. Fui convidado para apoiar a candidatura de Manuel Alegre porque era bonito termos um Presidente poeta.

Vive no Vale de Santarém actualmente. Já sabe alguma coisa dos actores políticos locais?

Já! (risos) Sei que há uns que não pagam e têm umas grandes dívidas, mas eu não ligo muito a isso... Conheço o Francisco Moita Flores, como conheço o António Rodrigues, de Torres Novas, ou o José Veiga Maltez, da Golegã. Conheço-os todos e conheço-os bem. Veiga Maltez é amigo da minha família. O António Rodrigues é pai da melhor amiga da minha filha. O presidente da Câmara do Entroncamento (Jaime Ramos) é um benfiquista fanático como eu. Mas nunca me dirigi a eles para pedir um favor ou outra coisa qualquer.

Se não fosse actor, o que gostava de ter sido?

O que busco na minha vida não tem a ver com a televisão, não tem a ver com o teatro, nem com nada disso. Hoje sou actor como amanhã posso ser outra coisa qualquer. Já fui artesão. Antes disso fui vendedor de uma multinacional e nunca tinha vivido tão bem. Por opção, passei disso para não ter dinheiro sequer para comer.

Como lidaram os seus pais com a situação?

Muito mal. Tinha uma filha com seis anos. A minha ex-mulher felizmente tinha um emprego bom e foi muito minha amiga. Suportou a educação da minha filha durante um período para que eu pudesse encontrar um rumo para a minha vida. Eu sabia que me estava a tornar um mentecapto, um gajo que só vive para ter uma grande casa, um carro topo de gama e depois ser um merdas como pessoa. Nunca saí do sonho de ser o comandante da minha própria vida, com todos os riscos que tenho de correr.

Ser famoso é uma chatice ou as vantagens compensam?

Não sei o que é isso de ser famoso. O Saramago é que é um gajo famoso, tal como o Lobo Antunes, o Ruy de Carvalho, a Eunice Muñoz... Tudo o resto são conhecidos.

Os actores hoje têm a concorrência de cantores, de modelos e até de ex-futebolistas? Pelos vistos qualquer um pode pisar um palco ou representar à frente de uma câmara desde que seja famoso ou tenha uma carinha laroca.

Sem dúvida. Está-se a branquear o árduo trabalho que é necessário para se ser actor, para se representar. O que os “Morangos com Açúcar” vieram fazer foi exactamente isso. Foi ter provocado nos jovens a ideia de que basta uma carinha laroca para se ser actor ou modelo, ser famoso e ser convidado para as festas. As pessoas vivem nisto! E trabalhar?

Entrevista completa na próxima edição semanal de O MIRANTE.

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