Sociedade 24 Nov 2009, 11:38h
Morreu o doutor Joaquim Isabelinha

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Faleceu na manhã desta terça-feira no Hospital de Santarém, Joaquim Gonçalves Isabelinha, médico oftalmologista que durante mais de meio século exerceu em Santarém, e que celebraria no dia 5 de Dezembro 101 anos de vida.

O funeral realiza-se esta quarta-feira. O corpo vai estar em câmara ardente na Igreja de Santa Clara, em Santarém, a partir da tarde desta terça-feira, de onde sai quarta-feira pelas 15h00 para o cemitério de Almeirim. Joaquim Isabelinha deixa um filho, três netos e uma bisneta.

Nascido em Almeirim no seio de uma família de comerciantes, Joaquim Isabelinha formou-se em Medicina em Coimbra corria o ano de 1936. Na “cidade dos doutores” o seu jeito para a prática do futebol atinge o expoente. A par do curso jogava na Académica, de que era sócio número um. Chegou a defrontar o Porto e o Benfica. Diz que o tratavam por “adversário amigo”. A ligação afectiva a Coimbra foi cimentada pelo nascimento dos seus filhos nessa cidade.

Mas foi também durante a sua estada em Coimbra que ocorreu um dos grandes dramas da sua vida. Estava-se na quadra natalícia, andava Joaquim Isabelinha no segundo ano do curso. Na ante-véspera de Natal falece a sua mãe e passados doze dias, na véspera de Reis, morre o pai. Acontecimentos nefastos obrigaram-no a tomar decisões que definiram o curso da sua vida.

O então estudante de Medicina assume que não tem jeito para os negócios e decide continuar o curso. Do património deixado pelos pais faz questão de não alienar nada. Recorre a um empréstimo bancário para financiar o resto do curso. Depois de três anos e meio de especialização em Oftalmologia, tirada em Lisboa, assenta arraiais em Santarém. Em 1940 ele e Rui Puga eram os únicos especialistas da área em Santarém. Prestou também serviço no hospital da cidade.

Entendeu sempre a medicina como um sacerdócio. Era frequente aparecerem-lhe no consultório do Largo do Seminário pacientes sem posses para pagar a consulta. Joaquim Isabelinha nunca negou os préstimos a ninguém. Quem não podia pagar era assistido gratuitamente. A sua faceta de benemérito, reconhecida pela comunidade, levou-o durante anos a distribuir dinheiro por pessoas carenciadas da sua Almeirim natal. Onde tem nome de rua, tal como em Santarém.

Uma das recordações mais gratas da sua vida profissional remonta ao dia em que prestou assistência ao famoso ganadeiro espanhol Álvaro Domecq, que na altura se encontrava a passar uns dias numa quinta nos arredores de Santarém. O dr. Isabelinha não levou qualquer dinheiro pela consulta, o que justificou com o contributo dado pelo espanhol para a festa brava, de que sempre foi aficionado.

Em Fevereiro de 2006, O MIRANTE atribuiu a Joaquim Isabelinha o Prémio Vida na Gala Personalidades do Ano referente a 2005. Em Dezembro de 2008, foi alvo de uma grande homenagem pública em Santarém por ocasião do seu centésimo aniversário, onde participaram, entre outras personalidades, o presidente da Associação Académica de Coimbra. O reitor da Universidade de Coimbra e os presidentes das câmaras de Coimbra e de Santarém.

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