Sociedade 6 Nov 2011, 00:53h
Um professor de Matemática que nunca lidou com casos de indisciplina

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Um dia, depois de acabar de leccionar as aulas nocturnas, Artur Silva saiu da escola por volta das 23h30 e encontrou um aluno à chuva. Perguntou-lhe se queria boleia e depois de insistir lá conseguiu deixá-lo em Arcena. No dia seguinte o aluno não apareceu na aula e o professor perguntou aos alunos se sabiam o que tinha acontecido. Descobriu que sempre que o pai se zangava com o filho não o ia buscar e obrigava-o a ir a pé da escola para casa.

"Foi um exemplo que me marcou porque mostra o que muitas pessoas têm de sofrer para poderem estudar", recorda o ex-professor, de 65 anos, que chegou a Alverca do Ribatejo, concelho de Vila Franca de Xira, em 1974 para dar aulas de matemática na Escola Técnica Gago Coutinho. Vivia-se um período conturbado do pós-25 de Abril, mas a escola esteve sempre dotada dos melhores professores, funcionários e alunos. No primeiro dia de aulas colocava logo um pequeno problema no quadro. "Queria desde logo que os alunos vissem quem é que dominava a matéria e também mostrar-lhes que eu estava ali para os ensinar algo que estava ao alcance de todos", conta o professor que nunca se deparou com casos de indisciplina.

Segundo o professor, os jovens são muito justos e rapidamente se apercebem se os professores têm ou não qualidade, passando ou não a respeitá-los. Entre 1992 e 1994 chegou a ocupar o cargo de director da escola. Depois de observar um jogo de basquetebol entre pessoas paraplégicas lembrou-se de contratar para guarda-nocturno da escola uma pessoa nas mesmas condições. "Não tinha dúvidas que uma pessoa paraplégica, munida de uma cadeira de rodas eléctrica e auxiliado por dois cães, cumpriria com grande eficiência a sua missão", refere. Chegou a ser feito um canil na escola, foram comprados dois cães de raça pastor alemão e a Segurança Social chegou a adquirir uma cadeira eléctrica. O mandato terminou e o projecto acabou por ser abandonado pelo sucessor de Artur Silva.

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