Entrevista 27 Mar 2012, 07:21h
Um ciclista campeão que não vira a cara à luta

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João de Brito admite que é preciso ter "pedalada" para ser oposição em Alpiarça, terra de esquerda durante muitos anos considerada um bastião comunista. Mas a experiência como ciclista profissional deu-lhe traquejo para os desafios da política e para não virar a cara à luta. Em vésperas do Dia do Concelho, o autarca do PSD diz que, politicamente, o ex-presidente da câmara Rosa do Céu "não faz falta nenhuma a Alpiarça" e reconhece diferenças entre a actual maioria comunista e o anterior executivo socialista. "A oposição é hoje muito melhor tratada", afirma.

Tem sido o rosto do PSD em Alpiarça, um concelho onde o seu partido tem pouca expressão. O que o faz correr na política?

Sou social-democrata e como tal acho que o PSD tem todo o direito de ter aqui representação, numa terra hostil ao partido. Alguém que dê a cara sem medos, como é o meu caso.

Tem sido difícil essa missão?

É como remar contra a maré, como pregar no deserto. Ninguém nos ouve. Mas também é interessante quando se tem vontade e quando se quer, a partir do nada, atingir determinado patamar. Não é o que gostaríamos, mas é o possível.

Acha que, pela sua postura, merecia mais votos, mais oportunidades?

Não posso dizer que mereço mais votos do que alguém. Mas o partido acho que sim. E seria mais benéfico para os alpiarcenses se tivessem uma postura diferente da que têm apresentado.

Vai continuar a insistir e a candidatar-se pelo seu partido?

Muitas vezes penso que não, mas depois o bichinho rói e continuamos porque não consigo dizer não ao partido. Enquanto o PSD precisar de mim eu estou presente.

Isso significa que o partido em Alpiarça também não tem muitas opções.

Infelizmente não tem. E a população de Alpiarça é um pouco culpada dessa situação. Nas últimas eleições autárquicas tive pessoas que sempre se disseram do PSD que me pediram desculpa porque não iam votar no partido. Iam votar no PS porque tinham medo que os comunistas voltassem ao poder.

Os socialistas, por outro lado, dizem que por vezes o senhor faz o jogo dos comunistas.

Sim, até na blogosfera cá do sítio têm falado muito nisso. Mas não corresponde à verdade. Não estou na política para servir este ou aquele partido. Acima de tudo para mim estão as pessoas e não os partidos.

Nota diferenças substanciais entre a actual gestão comunista e a anterior gestão socialista?

A oposição é muito melhor tratada com a CDU no poder em Alpiarça do que com o Partido Socialista.

Quais são as diferenças?

Os socialistas não nos respeitaram no passado. Para esses eleitos do PS parecia que a oposição não tinha o direito de existir. Quem não era do PS era contra o PS e tinha de ser abatido, passe a expressão.

Nessa altura Alpiarça foi pródiga em situações pouco habituais como o roubo de um pesado cofre da câmara que nunca apareceu; o fogo posto a um automóvel de um autarca; ou o caso do acesso a sites pornográficos a partir de um computador do gabinete do ex-presidente da câmara Rosa do Céu. Como viu esses episódios?

Com bastante tristeza, como é óbvio. Apesar de ser um assunto que não me diz respeito, e de não se ter chegado a conclusões concretas sobre essas situações, acho que é lamentável que as mesmas tenham acontecido.

O ambiente político na altura estava bastante "quente". As coisas hoje estão mais pacíficas?

Sim e ainda bem. Foi uma altura difícil politicamente em Alpiarça e espero que não volte a acontecer. Não tem lógica nenhuma.

A ausência da política local do anterior presidente da câmara Rosa do Céu (PS) pode contribuir para essa pacificação?

Acho que o dr. Rosa do Céu já deu o que tinha a dar em Alpiarça. Está muito bem onde está. Politicamente não faz falta nenhuma a Alpiarça. Não quero entrar por atritos pessoais, mas é uma pessoa de difícil trato e não tenho saudades nenhumas dele enquanto político.

Entrevista completa na próxima edição semanal de O MIRANTE, que sai quinta-feira, 29 de Março.

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